09 abril 2010

Post 27 - A Afabilidade e A Doçura


A benevolência para com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que lhe são a manifestação. Entretanto, não é preciso fiar-se sempre nas aparências; a educação e o hábito do mundo podem dar o verniz dessas qualidades.

Quantos há cuja fingida bonomia não é senão máscara para o exterior, uma roupagem cuja forma premeditada esconde deformidades ocultas! O mundo está cheio dessas pessoas que têm o sorriso nos lábios e o veneno no coração; que são brandas contanto que nada as machuque, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua dourada, quando falam face a face, se transmuta em dardo venenoso, quando estão por detrás.

A essa classe pertencem ainda esses homens benignos por fora e que, tiranos domésticos, fazem sofrer, sua família e seus subordinados, o peso do seu orgulho e de seu despotismo, como querendo-se compensar do constrangimento que se impuseram alhures; não se atrevendo a usar a autoridade sobre estranhos que os recolocariam em seu lugar, eles querem ao menos ser temidos por aqueles que não podem resistir-lhes; sua vaidade alegra-se de poder dizer: “Aqui eu mando e sou obedecido”, sem pensar que poderiam acrescentar com mais razão: “E sou detestado”.

Não basta que os lábios gotejem leite e mel, pois se o coração nada tem com isso, há hipocrisia.

Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas, nunca se contradiz; é o mesmo diante do mundo e na intimidade; ele sabe, aliás, que se pode enganar os homens, pelas aparências, não pode enganar a Deus.

[Lázaro, Paris, 1861]
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O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
Bem Aventurados Aqueles Que São Brandos e Pacíficos
Capítulo IX - Páginas 126 e 127.

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