21 março 2010

Post 12 - Notícias de Paula


Evocada, doze anos depois de sua morte, por um de seus parentes iniciados no Espiritismo, ela deu a comunicação seguinte, em resposta a diversas perguntas que lhe foram dirigidas (2):

“Tendes razão, meu amigo, em pensar que sou feliz; eu o sou, com efeito, além de tudo o que se possa exprimir e, todavia, estou longe do último grau. Entretanto, estou entre os felizes da Terra, porque não me lembro de ter provado a tristeza real. Juventude, saúde, fortuna, homenagens, eu tinha tudo o que constitui a felicidade entre vós; mas o que é essa felicidade perto daquela que se saboreia aqui? Que são as vossas mais esplêndidas festas onde se expõe os mais ricos ornamentos, perto dessas assembléias de Espíritos resplandecentes, de uma luz que a vossa vista não poderia suportar, e que é o apanágio da pureza? Que são os vossos palácios e os vossos salões dourados perto das moradias aéreas, dos vastos campos do espaço matizados de cores que fariam empalidecer um arco-íris? Que são os vossos passeios, de passos contados, em vossos parques, perto das excursões através da imensidade, mais rápidas do que o relâmpago? Que são os vossos horizontes limitados e nebulosos, perto do espetáculo grandioso dos mundos que se movem no universo sem limites sob a poderosa mão do Mais Alto? Quanto os vossos mais melodiosos concertos são tristes e gritantes perto dessa suave melodia que faz vibrar os fluídos do éter e todas as fibras da alma? Quanto as vossas maiores alegrias são tristes e insípidas perto da inefável sensação de felicidade que penetra, incessantemente, todo o ser como um eflúvio benfazejo, sem mistura de nenhuma inquietação, de nenhuma apreensão, de nenhum sofrimento? Aqui tudo respira o amor, a confiança, a sinceridade; por toda parte corações amantes, por toda parte amigos, nenhuma parte de invejosos e ciumentos. Tal é o mundo onde estou, meu amigo, e aonde chegareis infalivelmente seguindo o caminho certo.

“Entretanto, se deixaria cedo uma alegria uniforme; não credes que a nossa seja isenta de peripécias; não é nem um concerto perpétuo, nem uma festa sem fim, nem uma beata contemplação durante a eternidade; não. É o movimento, a vida, a atividade. As ocupações, embora isentas de fadigas, dão-lhe uma incessante variedade de aspectos e de emoções pelos milhares de incidentes de que são salpicadas. Cada um tem a sua missão a cumprir, os seus protegidos a assistir, amigos da Terra para visitar, mecanismos da Natureza a dirigir, almas sofredoras para consolar; se vai, ou vem, não de uma rua a outra, mas de um mundo ao outro; reúne-se ou separa-se para reunir em seguida; reúne-se num lugar, comunica-se o que se fez, felicita-se pelos sucessos alcançados; combina-se, assiste-se reciprocamente nos casos difíceis; enfim, asseguro-vos que ninguém tem o tempo de se aborrecer um segundo.

“Neste momento a Terra é o nosso grande objeto de preocupação. Que movimento entre Espíritos! Que numerosas coortes afluem para concorrer em sua transformação! Dir-se-ia uma multidão de trabalhadores ocupados em desbravar uma floresta, sob a condução de chefes experimentados; uns abatem as velhas árvores com o machado, arrancam as profundas raízes; outros desentulhando, estes lavrando e semeando, aqueles edificando a nova cidade sobre as ruínas carcomidas do velho mundo. Durante esse tempo, os chefes se reúnem, formam conselhos e enviam mensageiros para darem ordens em todas as direções. A Terra deve ser regenerada num tempo dado; é necessário que os desígnios da Providência se cumpram; por isso cada um está na obra. Não credes que eu seja simples espectadora desse grande trabalho; teria vergonha de ficar inativa enquanto todo o mundo se ocupa; uma missão importante me está confiada, e esforço-me para cumpri-la com o melhor de mim.

“Não foi sem lutas que cheguei à posição que ocupo na vida espiritual; crede bem que minha última existência por meritória que vos pareça, não bastou para isso. Durante várias existências, passei por provas de trabalho e miséria, que escolhi, voluntariamente, para fortificar e depurar a minha alma; tive a felicidade de sair vitoriosa delas, mas restava-me uma a provar, a mais perigosa de todas; a da fortuna e do bem-estar material, de um bem-estar sem mistura de amargor: aí estava o perigo. Antes de tentá-la, quis me sentir bastante forte para não sucumbir. Deus levou em conta as minhas boas intenções, e deu-me a graça de sustentar-me. Muitos outros Espíritos, seduzidos pelas aparências, apressam-se em escolhê-la; muito fracos – ai! – para afrontarem o perigo, as seduções triunfam de sua inexperiência.

“Trabalhadores, estive em vossas fileiras; eu, a nobre senhora, como vós, já ganhei o meu pão com o suor de minha fronte; experimentei provações, sofri intempéries, e foi o que desenvolveu as forças viris de minha alma; sem isso, provavelmente, teria sido mal sucedida na minha última prova, o que me arrojaria bem longe para trás. Como eu, tereis também, ao vosso turno, a prova da fortuna, mas não vos apresseis em pedi-la muito cedo; e vós que sois ricos, tende sempre presente no pensamento que a verdadeira fortuna, a fortuna imperecível, não está na Terra, e compreendei a que preço podereis merecer os benefícios do Todo Poderoso.”

PAULA, na Terra, Condessa de***


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(2) Extraímos desta comunicação, cujo original está em língua alemã, as partes instintivas para o assunto que nos ocupa, suprimindo o que não é senão de interesse da família.
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O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
Capítulo II - Espíritos Felizes
Páginas 193, 194, 195 e 196.

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