27 março 2010

Post 17 - O Julgamento Final

“Ora, quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-se-á sobre o trono de sua glória; - e todas as nações estando reunidas diante dele; separará uma das outras como um pastor separa as ovelhas dos bodes à sua esquerda. – Então o Rei dirá àqueles que estão à sua direita: Vinde, vós, que fostes benditos por meu Pai," etc.
(São Mateus, cap. XXV, v. de 31 a 46)
 (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XV)

Devendo o bem reinar sobre a Terra, é necessário que os Espíritos endurecidos no mal, e que poderiam trazer-lhe perturbação, dela sejam excluídos. Deus deixou-lhes o tempo necessário para a sua melhora; mas, tendo chegado o momento em que o globo deve se elevar na hierarquia dos mundos, pelo progresso moral de seus habitantes, a estada, como Espíritos e como Encarnados; nele será interditada àqueles que não aproveitaram as instruções que estiveram livres para aí receber. Serão exilados em mundos inferiores, como o foram outrora, sobre a Terra, os da raça adâmica, ao passo que serão substituídos por Espíritos melhores. É essa separação, à qual Jesus presidirá, que está figurada por estas palavras do julgamento final: “Os bons passarão à minha direita, e os maus à minha esquerda.”

A doutrina de um julgamento final, único e universal, colocando para sempre fim à Humanidade, repugna a razão, no sentido que ela implicaria a inatividade de Deus durante a eternidade que precedeu à criação da Terra, e a eternidade que seguirá à sua destruição. Pergunta-se de qual utilidade seria, então, o Sol, a Lua e as estrelas, as quais, segundo a Gênese, foram feitas para clarear o nosso mundo. Admira-se que uma obra tão imensa haja sido feita para tão pouco tempo e para proveito de seres cuja maior parte estava devotada antecipadamente aos suplícios eternos.

Materialmente, a idéia de um julgamento único era, até certo ponto, admissível para aqueles que não procuravam a razão das coisas, então quando se acreditava toda a Humanidade sobre a Terra, e que tudo, no Universo, fora feito para seus habitantes: ela é inadmissível desde que se sabe que há bilhões de mundos semelhantes que perpetuam as Humanidades durante a eternidade, e entre os quais a Terra é um ponto imperceptível, dos menos considerados.

Só por este fato vê-se que Jesus tinha razão em dizer aos seus discípulos: “Há muitas coisas que não posso vos dizer, porque não as compreenderíeis,” uma vez que o progresso das ciências era indispensável para uma sadia interpretação de algumas de suas palavras. Seguramente os apóstolos, São Paulo e os primeiros discípulos, teriam estabelecido de outro modo certos dogmas se tivessem os conhecimentos astronômicos, geológicos, físicos, químicos, fisiológicos e psicológicos que se possuem hoje. Também Jesus adiou o complemento de suas instruções, e anunciou que todas as coisas deveriam ser restabelecidas.

Moralmente, um julgamento definitivo e sem apelação é inconciliável com a bondade infinita do Criador, que Jesus nos apresenta, sem cessar, como um bom Pai, deixando sempre um caminho aberto ao arrependimento e pronto a estender os seus braços ao filho pródigo. Se Jesus houvesse entendido o julgamento neste sentido, teria desmentido as suas próprias palavras.

E depois, se o julgamento final deve surpreender os homens de improviso, no meio de seus trabalhos comuns e as mulheres grávidas, pergunta-se com qual objetivo Deus, que não faz nada de inútil e nem injusto, faria nascer crianças e criaria almas novas nesse momento supremo, no termo fatal da Humanidade, para passá-las por um julgamento ao saírem do seio materno, antes que tivessem consciência de si mesmas, enquanto que outros tiveram milhares de anos para se reconhecerem? De que lado, à direita ou à esquerda, passarão estas almas que não são ainda nem boas e nem más e a quem todo caminho ulterior de progresso está doravante fechado, uma vez que a Humanidade não existirá mais?

Que aqueles cuja razão se contenta com semelhantes crenças as conservem, é seu direito, e ninguém nisso encontre o que censurar; mas que não levem a mal que nem todo o mundo seja de sua opinião.
.............................................................
A Gênese – Allan Kardec
Predições do Evangelho
Julgamento Final
Capítulo XVII – Páginas 349, 350 e 351

Nenhum comentário: